O processo de peletização de rações pode representar diversos benefícios, tais como a redução de perdas por pó, redução de custos de armazenagem e transporte devido ao aumento da densidade da ração, melhoria do desempenho zootécnico dos animais, principalmente por conta da melhoria da conversão alimentar, entre outros.
Porém, para que a peletização realmente traga esses benefícios, é de fundamental importância que alguns padrões de processo sejam seguidos. Esses padrões variam de acordo com a formulação da ração e de acordo com a espécie de animal para a qual a ração a ser produzida se destina, mas, de forma geral, podemos citar como pontos importantes:
Granulometria: o padrão de granulometria das partículas a serem peletizadas varia de acordo com a espécie de animal para qual a ração se destina, porém, de forma geral, partículas a serem peletizadas precisam ter granulometria menor (entre 500 e 1.000 micras) pois, quanto menor o tamanho da partícula, maior será a superfície de contato com o vapor e, consequentemente, maior será a ação do vapor sobre estas partículas, melhorando a eficácia do tratamento térmico e o processo de gelatinização do amido.
Exemplos de variações de custo, consumo e GPD (ganho de peso diário) em relação ao DGM; Tabelas 1 e 2, adaptado de Flemming et al. (2002).
Tabela 1: CONSUMO DE RAÇÃO E GANHO DE PESO NA FASE PRÉ-INICIAL EM FUNÇÃO DO DGM DA DIETA, EM FRANGOS DE CORTE.
Tabela 2: CUSTO EM ENERGIA ELÉTRICA E RENDIMENTO DE MOAGEM EM FUNÇÃO DO DGM.

Temperatura de condicionamento: normalmente recomendamos de 80 a 90º C, pois o processo de gelatinização começa de forma mais intensiva a partir dos 80ºC, e não devemos ultrapassar muito os 90ºC visando minimizar possíveis perdas de nutrientes.
Temperatura dos pellets na saída do resfriador: constitui-se num dos mais importantes controles no processo de peletização. Como regra, a temperatura dos pellets na saída do resfriador não pode ultrapassar, de forma alguma, 10ºC à temperatura ambiente. O desejável seria o máximo de 6ºC.
Adição de gordura na ração a ser peletizada: adições acima de 2% começam a prejudicar a qualidade dos pellets, porque a gordura aquecida vem à superfície lubrificando o furo e facilitando a passagem pelo mesmo, reduzindo a compactação. A gordura também dificulta a absorção da água. Dessa forma, quando for desejado adicionar percentuais maiores de gordura, deve ser avaliada a possibilidade de fazê-lo após o resfriamento.
Diâmetro dos furos da matriz: irá variar de acordo com o produto a ser peletizado. No caso da biomassa, por exemplo, normalmente os furos possuem de 6 a 8mm de diâmetro. Já no caso dos fertilizantes organominerais, variam de 2,5 a 3mm normalmente. Enquanto no segmento de ração animal, há matrizes com diâmetro de 1,5 até 2,2mm para produção de rações que chamamos de micro peletizadas, como, por exemplo, alimentos para camarões e leitões. Já o alimento para frangos de corte e suínos normalmente possuem diâmetro entre 4 e 5mm.

Foto: Arquivo Ferraz Máquinas
TABELA 3: Diâmetro de furos em matrizes de peletizadora,

Taxa de compactação da matriz: trata-se da razão entre a espessura da matriz e o diâmetro dos furos. É importante pois, quanto maior a taxa de compactação, normalmente tem-se um pellet com maior dureza, porém a produtividade tende a diminuir. Varia de acordo com a espécie de animal para a qual a ração de destina, na tabela 2 abaixo temos um parâmetro que se aplica de forma geral.
TABELA 4: Taxa de compactação esperada para cada espécie animal

Fonte: Ferraz máquinas e engenharia.
Porcentagem de área aberta da matriz: o padrão de área aberta para matrizes de produção de biomassa e fertilizante organomineral, por exemplo, gira em torno de 32 a 35%. Já para produção de ração micro peletizada para leitão e camarões, o padrão gira em torno de 20 a 25%. Para produção de ração para frangos e suínos, normalmente se utiliza de 35 a 40% de área aberta. Para produção de ração para roedores, que possuem furos grande, a taxa de área aberta costuma ser de 20 a 25%.

Foto: Ferraz máquinas e engenharia.
TABELA 3: Indicadores para gestão de produção em peletizadoras

Fonte: Ferraz máquinas e engenharia.
Autor: Luiz Gomide Ferraz
Diretoria Ferraz Máquinas e engenharia
PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA INGREDIENTES & NUTRIENTES – NUTRIÇÃO ANIMAL.
PROIBIDO A REPRODUÇÃO SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO – GMG.
