Os ingredientes que fornecem a energia necessária para que os animais se mantenham vivos, saudáveis, cresçam e se reproduzam – Nutrição Animal.
Seja qual for a espécie animal, a energia é necessária para a manutenção de processos vitais como: respiração, digestão, crescimento, reprodução etc.; para o acúmulo de reservas para períodos de escassez de alimentos, na forma de gordura e proteção do organismo, formando uma camada isolante; produção (leite, carne, ovos, lã etc.). A energia necessária é proveniente, em sua maior parte, dos carboidratos e, em menor proporção, dos lipídios. São ingredientes ricos em energia e pouca proteína bruta representados pelos grãos de cereais e seus subprodutos, assim como óleos e outras fontes de gordura.
Os carboidratos vegetais são classificados em Polissacarídeos de reserva (amido) e Polissacarídeos Não Amiláceos (PNAs), estes últimos principais componentes da parede celular das plantas, dentre os quais estão a celulose, hemicelulose e pectinas, compostos que podem limitar a alta inclusão em dietas para monogástricos, porém para os ruminantes são uma das principais fontes de energia. Enquanto o amido é um polímero de armazenamento energético dos vegetais, sendo o carboidrato mais abundante na natureza.
Já os lipídeos chegam a fornecer cerca de 2,25 vezes mais energia do que os carboidratos e proteínas. Em sua composição química, dentre outras substâncias, há hidrocarbonetos, esteroides, vitaminas e triglicerídeos que tornam esses lipídios responsáveis por funções bioquímicas e fisiológicas importantes no organismo animal.
A Assessora Técnica Sênior de Nutrição Animal da Ingredion Brasil, Ana Beatriz Oliveira, lembra que no Brasil a dieta base dos animais é formulada utilizando milho e farelo de soja. “Tendências mundiais reforçam a expectativa de que o milho e a proteína da soja estão sendo mais direcionados para o consumo humano. O uso de alimentos alternativos na nutrição animal é a maneira de diminuir a competição por grãos entre alimentação animal, humana e os biocombustíveis, reduzir os altos custos em relação às fontes tradicionais, porém sem comprometer o desempenho dos animais. Em nossos processos utilizamos avançadas técnicas de moagem de milho, por via úmida, para obtermos os ingredientes alternativos”.
Trabalhando com produtos tecnológicos voltados para a maior eficiência no campo, a Nutricorp oferece uma completa linha de gorduras protegidas para bovinos de leite e corte, sendo indicados nas fases de recria, engorda, reprodução e vacas em lactação. Focada na pecuária e inovação, realiza investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a fim de levar novas tecnologias para o pecuarista brasileiro. “Para desenvolver pesquisas, buscamos parcerias com instituições nacionais e internacionais, como por exemplo, a Texas A&M University”, esclarece o Coordenador Comercial da Nutricorp, Vitor Marcassa. “Em relação aos suplementos energéticos, percebemos que o mercado está cada vez mais preocupado em fornecer aos animais, os Ácidos Graxos (AG) específicos, ou seja, que a composição de um suplemento energético atenda necessidades particulares dos animais, como, melhor acabamento de carcaça, melhoria nos aspectos reprodutivos e melhor qualidade de leite, por exemplo”, observa Vitor, acrescentando: “em gado de corte, diversos trabalhos mostram efeitos positivos da suplementação de Ômega 6 na reprodução, aumentando as taxas de prenhez de fêmeas bovinas e auxiliando no reconhecimento materno nos tecidos embrionários. Já no gado leiteiro, o novo NASEM (2022) informa as concentrações médias dos principais AG para formulação de dietas, trazendo um novo conceito de formulação por perfil de AG e não somente por teor de extrato etéreo da dieta. Isso nos mostra que os produtores estão buscando mais inovação e aderindo às tecnologias mais assertivas e específicas para cada categoria animal do seu rebanho.”
A Coordenadora Técnica da Nutricorp, Nathaly Carpinell salienta que o uso dos suplementos não diminui a importância de uma nutrição completa, no entanto, se faz importante para alcançar os melhores resultados para o rebanho.
A empresa Patense oferece óleos de vísceras de aves, de peixe e de salmão, sebo bovino e graxa suína para as dietas de aves, suínos, peixes e rações pet com concentrações que variavam de acordo com a espécie animal. “As fontes energéticas possuem funções essenciais à vida animal, distribuindo energia às células para desempenhar diversas atividades, dentre elas, a manutenção, produção, acúmulo de reservas e até mesmo proteção em forma de camada isolante. Atualmente pode-se observar a busca por alimentos mais saudáveis para todas as espécies, assim os óleos e gorduras de origem animal proporcionam uma alta digestibilidade aos animais, conferindo saúde e melhor desenvolvimento”, explica o zootecnista e Gerente de Vendas Nacional da Patense, Fabrício Mota.
Com centros experimentais próprios e parcerias com Universidades e instituições de pesquisas, a Vaccinar Nutrição Animal trabalha focada no desenvolvimento, aprimoramento e comprovação da eficácia dos produtos. No ano passado, foi lançado o Bio Energia, um produto energético baseado em óleo vegetal hidrogenado, que busca aumentar a densidade energética das rações sem a necessidade do uso do óleo de soja para as linhas voltadas às aves e suínos. “Muitas fábricas de rações têm problemas em trabalhar com produtos líquidos como o óleo devido à dificuldade de dosagem e do correto armazenamento, lembrando que este ingrediente é de fácil peroxidação. O Bio Energia por ser um produto em pó, facilita os processos e apresenta elevada estabilidade à peroxidação. Além disso, fornece alta concentração energética para as dietas, mesmo com baixas inclusão do produto”, explica o zootecnista e Especialista em Nutrição de Suínos na Vaccinar Nutrição Animal, Marcos Henrique Soares.
De acordo com Marcos, os ingredientes energéticos são os que mais oneram a ração, desta forma, a busca por nutrientes que reduzem o custo, mantendo um bom desempenho animal é constante. Além disso, o zootecnista lembra que a constante busca por redução da carga poluente dos dejetos suínos tem embasado o desenvolvimento de produtos com o objetivo de melhorar o aproveitamento dos nutrientes das rações e reduzir a excreção no meio ambiente. O desenvolvimento de produtos com facilidade de inclusão faz produtores preferirem trabalhar com soluções em pó em suas fábricas de ração, trazendo a possibilidade de substituição do óleo líquido, não só por custo, mas, por questões estruturais, viabilizando o uso de óleos hidrogenados em substituição as gorduras e óleo líquidos. “Outra tendência é o uso de enzimas na nutrição animal com o objetivo aumentar a digestibilidade da energia. As fitases, carboidrases e proteases já são amplamente utilizadas na nutrição animal, mas outras como lipases tendem a se estabelecer na nutrição animal. Com o aumento das diferentes fontes lipídicas nas dietas, a enzima terá maior potencial de ação e, consequentemente, maior contribuição na digestibilidade da energia”, analisa Marcos.
A SJC Bioenergia investe na obtenção de matérias-primas de qualidade e procedência, visando garantir os melhores padrões de produção e conservação de seus produtos, com eficiência comprovada, inclusive em instituições renomadas de pesquisa, também está focada em trazer novas tecnologias de melhoria de eficiência de produção, com menor impacto ambiental possível. “O componente energético DDG vem ganhando espaço nas formulações para todas as espécies, com a perspectiva de crescimento de produção a cada ano. Versátil, possui características ímpares, com concentração interessante de aminoácidos essenciais, presença dos metabólitos da fermentação e importante concentração de energia e proteína, essencial para todas as espécies e categorias. Estamos desenvolvendo inovações no DDG e, em breve, será lançado como um produto bem mais palatável, mais energético e com odor altamente atrativo para os animais”, adianta o médico-veterinário e Analista Comercial Sênior da SJC Bioenergia, Leonardo Guimarães de Oliveira.
Especializada em beneficiamento de amido de batata proveniente de processadores de batata frita, a Microamido fornece para a composição da nutrição animal a fécula de batata que entra como componente para agregar e expandir as rações, como vantagem, a batata apresenta maior viscosidade do que os outros amidos não GMOs, não é grão e possui melhor custo do que, por exemplo, a mandioca. “Nosso produto é versátil e vem sendo usado na nutrição animal como uma boa fonte de amido. Estamos aumentando a capacidade de produção para atender os mercados de avicultura, suinocultura, bovinocultura, pet food e, agora também, de psicultura”, cita o sócio-gerente da Microamido, Roberto Thome.
AS OPÇÕES EM INGREDIENTES ENERGÉTICOS
INGREDION BRASIL
Refinazil: possui perfil fibroso caracterizado pela rápida e elevada degradação ruminal, razão pela qual é direcionado às dietas de ruminantes, apresentado na forma úmida e seca. Além da energia proporcionada pelas fibras, a tecnologia de enriquecimento de glúten resulta em uma proteína de bom valor nutricional que auxilia no equilíbrio do uso da ureia na dieta de ruminantes. Para monogástricos esse tipo de ingrediente é utilizado como diluente de energia, característica desejada em dietas de porcas em reprodução e gestação e matrizes de frangos de corte. Vale ressaltar que na nutrição animal, os ingredientes energéticos fibrosos vêm sendo bastante estudados em relação aos benefícios da fibra na dieta para a saúde intestinal.
Gérmen Integral Extra Gordo: o processo de moagem úmida utilizado pela Ingredion gera um ingrediente que contém 46% de extrato etéreo, essa concentração de gordura está encapsulada naturalmente, por isso a utilização do gérmen de milho integral extra gordo como fonte de óleo beneficia o processamento da ração, reduzindo a necessidade de inclusão de óleo líquido, tornando o alimento mais estável e menos susceptível à oxidação. Além do alto teor energético, o gérmen é bastante palatável, fonte de fibras e isento de fatores antinutricionais, podendo ser utilizado nas rações de todas as espécies e faixas etárias. O ingrediente se adequa ao perfil nutricional de dietas de ruminantes de corte em terminação, trazendo cobertura de gordura e gordura entremeada para a carcaça e, quando utilizado em dietas de vacas e cabras leiteiras, os recentes estudos demostraram os benefícios deste ingrediente no perfil lipídico do leite.
Gérmen desengordurado: possui perfil nutricional de alta palatabilidade e sem fatores antinutricionais que limitem seu uso na formulação para todas as espécies e categorias dos animais de produção. Em monogástricos pode ser usado sem alterar qualidade de carcaça, desempenho e consumo de ração.
Óleo de milho: se destaca pelo teor de ácidos graxos poli-insaturados, sendo o principal o ácido graxo linoleico (Ômega 6). O óleo de milho bruto pode ser utilizado para todas as espécies e suas categorias. Em geral, considera-se que 1% a mais na média do teor de óleo de milho acarreta um ganho aproximado de 50 kcal de energia metabolizável/kg, tanto para aves quanto para suínos.
Maltodextrina, xarope de glicose e dextrose: possuem caráter energético provindos da moagem úmida do milho. Na nutrição animal a dextrose e o xarope de glicose atendem as necessidades energéticas de forma rápida por se tratar de um monossacarídeo. Já a maltodextrina é um polissacarídeo com característica de dulçor, adicionando palatabilidade à dieta. São ingredientes principalmente utilizados em fórmula de alimentação de bezerros e leitões pós desmame.
“Trabalhamos para atender todas as demandas e necessidades dos nossos clientes, com isso também temos as novas linhas do Refinazil e Gérmen Integral com a classificação Non-GMO. Utilizamos a nomenclatura IP para nos referirmos a Identity Preserved (Identidade Preservada), sigla que é comumente utilizada para mercadorias à granel em grandes quantidades, mantendo as características originais das sementes desde o plantio inicial, passando por cultivo, colheita, expedição, armazenamento, processamento, embalagem e venda ao consumidor”, conta a Assessora Técnica, Ana Beatriz.
MICROAMIDO
Fécula de batata: apresenta maior viscosidade, maior capacidade de expansão que todos os amidos e melhor textura na ração. “Agora, estamos desenvolvendo a casca de batata, para que também seja utilizada como fonte de fibras para alimentação animal”, explica o sócio-gerente da Microamido, Roberto Thome.
NUTRICORP
Nutri Gordura (NG): é mais que uma suplementação energética, é uma gordura protegida de alta energia, composta por sais cálcicos de ácidos graxos (SCAG) poli-insaturados indicada para formular rações mais equilibradas, ajudando a reduzir o risco de distúrbios digestivos, como a acidose nos bovinos de corte. Ao contrário de outras fontes de energia, a NG não é fermentada em ácido no rúmen, permitindo um aumento da oferta de energia e cálcio, sem elevar o risco de problemas de saúde associados. Além destes benefícios, a NG fornece aos animais, os ácidos graxos essenciais (AGE). “Um dos principais benefícios da utilização de NG é o adensamento da dieta, oferecendo alto teor de lipídeos e nutrientes, que, estrategicamente, pode funcionar como eficiente instrumento de engorda dos animais. Por sua vez, essa dieta garante um maior ganho de energia e um menor consumo de matéria seca/ração total. Nesse tipo de dieta, o foco é o resultado da carcaça e o melhor desempenho dos animais. Além disso, a suplementação com NG é uma das maneiras que pode levar a resultados de melhores índices reprodutivos. Nos últimos anos, o Brasil e o mundo publicaram diversos trabalhos comprovando que a suplementação de SCAG poli-insaturados melhorou as taxas de prenhez das vacas na estação de monta e protocolos de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), sendo assim, além de fornecer energia, os AGE apresentam funções metabólicas na produção, saúde e desempenhos dos animais”, esclarece Nathaly Carpinell, Coordenadora Técnica da Nutricorp.
PATENSE
Óleo de salmão: ingrediente rico em minerais e vitaminas, tem alta concentração de Ômega 3. Assim como os demais ingredientes energéticos oferecidos – óleos de vísceras de aves, de peixe e de salmão, sebo bovino e graxa suína – melhora da palatabilidade das dietas, diminui o incremento calórico, aumenta o consumo de ração, melhora a conversão alimentar e confere maior digestibilidade.
SJC BIOENERGIA
São três principais alimentos que compõem a classificação de ingredientes energéticos: o WDG, DDG e o óleo bruto de milho, indicados para bovinos, suínos, aves, peixes, caprinos e ovinos.
WDG: palatável, tem umidade mais elevada, favorecendo a ingestão e melhorando o tamanho do bocado para bovinos confinados.
DDG: alto teor de proteína, palatável e, de acordo com o fabricante, excelente custo-benefício.
Óleo bruto de milho: componente profundamente energético, com a interessante característica de alta concentração de xantofilas, um corante natural presente no milho e responsável por intensificar a coloração de gemas dos ovos e a cor da carne do salmão.
VACCINAR
Suienergy 50, Pró-Energy 50, Sweet Energy 50 e Bio Energia: concentrados destinados aos leitões em fase de creche e fêmeas em lactação.
Suple-Marrãs: linha
destinada a suínos, neste caso para as fêmeas em flushing e em lactação.
Bio Energia e Energy Óleo: voltado para aves, o óleo ácido de soja substitui o óleo de soja tradicional.
DairyFat, BeefFat e LacFat: o primeiro é indicado para vacas em lactação, o segundo para bovinos de corte em crescimento ou confinamento e o último para fêmeas bovinas em fase de reprodução.
A Vaccinar acaba de desenvolver e lançar a linha Bio Enzima, composta por 4 produtos: Bio enzima HD, Bio Enzima FIT, Bio Enzima Carbo e Bio Enzima Pro, cujo objetivo é melhorar a digestibilidade e a disponibilidade de nutrientes e energia para aves e suínos.
Por: Lia Freire
PUBLICAÇÃO EXCLUSIVA DA REVISTA INGREDIENTES E NUTRIENTES – NUTRIÇÃO ANIMAL.
PROIBIDO A REPRODUÇÃO TOTAL E/OU PARCIAL SEM AUTORIZAÇÃO DA EDITORA STILO E GMG.
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