Ler Resumo

A grande variedade de pássaros espalhados pelo mundo se reflete também nos diversos métodos que eles carregam para atrair parceiros de acasalamento. Pavões machos carregam seu leque de cores vibrantes, as aves-do-paraíso dançam para cortejar seus possíveis parceiros e os patos-reais fêmeas escolhem machos que tenham a cabeça mais esverdeada e o bico mais amarelo. Em um novo estudo da revista PLOS One, um grupo de arqueólogos descobriu o fóssil de uma ave parente dos dinossauros que carregava em seu corpo penas que alcançavam duas vezes seu próprio tamanho, e serviam para atrair fêmeas de sua espécie. 

O fóssil mostra uma nova espécie de pássaro ancião que, por meio de suas penas, comprova que chamar atenção de fêmeas através de características corporais diversas é um fenômeno das aves mais antigo do que se imaginava (Ilustração por Ville Sinkkonen/Reprodução)

Durante a Era Mesozoica, os dinossauros estavam espalhados por todo o planeta Terra. Após a grande extinção em massa do fim do período Jurássico, um único membro da família destes animais sobreviveu: os dinossauros avianos, que evoluíram com o passar dos milhões de anos e, hoje, estão também espalhados pelo mundo, mas no formato das aves. À época, o grupo mais diversificado de aves vivas era o Enantiornithes, que foi extinto junto dos dinossauros após o cometa atingir a Terra há 66 milhões de anos. 

O fóssil encontrado pelos pesquisadores americanos fazia parte desse grupo e trouxe à tona a existência de um pássaro com penas escuras, enormes e que eram utilizadas, muito provavelmente, para atrair fêmeas para o acasalamento. Nomeado Plumadraco bankoorum, ele viveu há cerca de 121 milhões de anos e era uma ave pequena, com tamanho similar ao de um tordo-americano, mas suas plumas podiam alcançar até o dobro do tamanho de seu corpo. 

“São algumas das penas proporcionalmente mais longas já encontradas no fóssil de um pássaro”, diz a pesquisadora e autora principal do estudo, Alex Clark. A descoberta da nova espécie aconteceu durante uma visita ao Museu Tianyu Shandong, na China, junto do co-autor da pesquisa Jingmai O’Connor. Ao observarem centenas de fósseis de pássaros, o Plumadraco chamou a atenção pelo tamanho de suas penas. A análise e comparação do fóssil com outros enantiornithes levou o time a identificar que aquela era uma nova espécie antiga, até o momento não identificada

Continua após a publicidade

Os pesquisadores acreditam que o espécime encontrado era macho por uma série de fatores. Eles explicaram que, a partir de um certo tamanho de pena, é mais provável que o espécime seja macho por ser uma característica que algumas aves desenvolveram com o passar do tempo para atrair fêmeas

De acordo com Clark, o fóssil de outros enantiornithes mostra “resíduos de tecidos muscular perto da região da cauda e, baseado nesses músculos, pássaros como o Plumadraco teriam um movimento limitado para suas caudas, mas poderiam movê-las para cima e para baixo, comportamento verificado em pássaros machos que cortejam fêmeas de suas espécies”. 

Para a pesquisadora, a descoberta desse fóssil mostra que as aves têm evoluído para exibirem grandes características corporais, feitas para atrair parceiras de acasalamento. “De acordo com os fósseis, a escolha das fêmeas por machos com ornamentos é parte importante de como os pássaros são há mais de 120 milhões de anos”, explica. 

CNN Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *